10 jun




Seria difícil existir uma coletânea como esta algum tempo atrás. “Desde que abrimos o selo, a gente começou a receber muito material, mas muitas eram coisas que não batiam como gostaríamos”, conta o DJ e produtor Zegon, metade do duo Tropkillaz e mente por trás do selo Buuum Trax.

“De uns seis meses pra cá chegamos em um ponto em que a qualidade das produções subiu muito”. Disso, surgiu esta seleção de faixas de artistas que fazem parte de um dos contigentes mais vibrantes da música brasileira atual: a cena bass. O contigente de novos produtores é catapultado por festas que pipocam de norte a sul do país. Entre as mais conhecidas, estão a Wobble (Rio de Janeiro e São Paulo), Perde a Linha (Brasília), Red Room (Vitória), Metanol (São Paulo) e Creme de La Creme (Porto Alegre). 

Bass music é um termo “guarda-chuva” sob o qual se abrigam gêneros como o dubstep, o trap, o drum’n’bass e suas fusões com estilos que vão do pop ao hip hop, da EDM ao electro, passando por uma infinidade de ritmos regionais, do dancehall jamaicano ao nosso baile funk. Nos últimos anos, a cena bass brasileira tem se expandido e ramificado em sub-cenas que vão dos beats abstratos do future bass ao pancadões periféricos do global bass.  

“Essa molecada tá bem original. Antes eu sentia que o pessoal estava tentando fazer uma coisa genérica. Agora não”, diz Zegon. Para esta primeira coletânea - sim, ele diz que tem intenção de fazer outras! -, ele escolheu um recorte da bass music mais voltada à pista de dança, em fusões com estilos distintos como EDM, dancehall, baile funk, rasteirinha e até samba reggae. “Eu procurei músicas que eu tocaria no meu set”, justifica.  

Aqui temos um belo panorama, com produtores do Rio, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul - e até intrusos da Holanda -, numa espécie de cartão de visitas do que a bass music originalmente brasileira tem para mostrar. Tanto que alguns dos nomes apresentados aqui já figuram em sets de gente como Diplo, Flosstradamus e Branko. “Dá pra ser brasileiro sem ser óbvio”, diz Zegon. Essa coletânea é uma prova disso.

Faixa a faixa
  1. Ruxell  - “Bun Bun” - O produtor carioca, segundo Zegon “um dos caras mais maduros da cena”, abre a coletânea com uma faixa sacolejante, que bate em algum lugar entre o trap e o twerk.
     
  2. Leo Justi & Pesadão Tropical - “Hallelujah” -  O encontro do carioca que já fez até remix para M.I.A com o trio gaúcho é um breakbeat com elementos de b-more. “O que eu mais gostei é que não tem clichê, não segue moda”.
     
  3. Thai ft Stal - “Slowdown” - “Eu gosto de paradas que não são comuns. O Thai produz muito e mandou essa faixa inesperada”, diz Zegon sobre o twerk do produtor carioca.
     
  4. E-Cologyc ft Faisca - “Alucinação” - Zegon vai direto ao ponto: “É um produtor prodígio, que transita bem entre o electro e o trap. Ainda conta com a participação do Mc Faisca e seu flow sinistro”.
     
  5. Tropkillaz & Leo Justi ft MC Carol e MC Tchelinho - “Toca na Pista” - A faixa, que estreou em grande estilo no show de outra Carol (a Conká) no Lollapalooza, é eletrônica com pé no Miami Bas e drop de trap. “Sou fã da MC Carol desde sempre, ela nem sabe o quanto escreve bem. Fora o punch e a personalidade”.
     
  6. VINÍ - “Tudo Nosso” - “É um mano muito dedicado, que tem um puta bom gosto e com essa visão do que tem que ter cara do Brasil. Ele tá preparado pro game”, diz Zegon sobre o jovem produtor paulistano, autor desse baile funk eletrônico com toques trap e elementos de samba enredo.  
     
  7. Sydney & Leo Justi - “Aquecimento das Arabias” - Mais uma parceria do produtor carioca, dessa vez com o funkeiro Sydney. Baile funk pesadão com um pé no Oriente Médio. Zegon resume: “Adoro o Sidney, adoro melodia árabe”.
     
  8. Marginal Man & Ruxell - “Fuuudeu”  - “Essa música vai pegar. É legal essa parada dos 130 BPM que cai pra metade, funciona muito bem no mix e na pista”. Nesse baile trap, Ruxell divide os créditos com a dupla carioca Marginal Men.
     
  9. Coyote Beatz - “Caaaaralho”  - Com trabalhos pra cena hip hop nacional e internacional, o o beatmaker mineiro chega com essa uma faixa que leva um sample vocal da MC Carol. “É um cara muito talentoso, puta beatmaker. O moleque que veio do rap. Eu tô dando força pros caras começarem a fazer música sem depender de MC”, ressalta Zegon.
     
  10. Maffalda - “904” -  “Ouvi umas coisas dele e fiquei impressionado. Esse cara vai surpreender”, diz Zegon sobre o misterioso produtor paulistano, que apresenta uma faixa etérea que flerta de leve com pop.  
     
  11. Flying Buff - “Don’t Lie” - “O Lucas é ‘meu sobrinho’, um moleque muito dedicado que vem fazendo coisas boas desde o dia um”, fala Zegon sobre mais uma revelação paulistana. A faixa parte de um moombahton para surpreender com constantes mudanças de tempo.
     
  12. DHZ - “Batendo” -  “Eles são completos pra ir pra estrada, produzir, ter fãs. Tão fazendo direitinho”, conta Zegon, sobre o trio curitibano que aqui apresenta esse trap arrasa-quarteirão.
     
  13. SCORSI - “Torch” - Vindo da cena drum’n’bass, o experiente produtor paulistano apresenta esse pós-dubstep que, para Zegon, é “muito bem resolvido, tem melodia forte”.
     
  14. Atman - “Break Loose” - A faixa do jovem produtor carioca foi, segundo Zegon, uma das últimas que chegou. “Achei essa ela bem dinâmica, por isso entrou”, diz, sobre o som, um future bass climático e envolvente.
     
  15. Mauro Telefunksoul - “Afro” - DJ consagrado na cena baiana, Mauro é um dos fundadores do movimento Bahia Bass. Aqui ele apresenta uma track eletrônica com influência da batida samba reggae e um brake de capoeira. “É um lance pra pista com a pegada da Bahia. Tem originalidade”, elogia Zegon.
     
  16. Bad$ista - “Loca” - A paulistana é única garota da coletânea. Faz bonito nessa faixa com forte mistura de elementos de dancehall, trap e EDM, como atesta Zegon: ““É uma das faixas mais originais, caiu meu queixo quando veio”.
     
  17. Braap - “SQUELCH - “Eles têm umas músicas bem loucas. Quando o cara é DJ mesmo, produz com suingue especial”, conta Zegon sobre a dupla de Brasília. Realmente, a faixa tem breaks pra fazer qualquer pista vir abaixo.
     
  18. DKVPZ & TROPKILLAZ - “Don’t Give Up” - Zegon dá o selo de qualidade: “Os moleques são f* demais. Tão entre os mais ricos em produção no momento”. Pra comprovar, a dupla paulistana capricha nas harmonias de fortes tintas brasileiras com ocasionais beats de rasteirinha.
     
  19. D`Maduro & Furo - “Too Good” - Única presença internacional, D’Maduro e Furo estão baseados na Holanda. “Conheci eles em Amsterdã. Únicos gringos na parada, mas a faixa encaixou bem na coletânea”.
     
  20. Hurakan - “Meus Heróis”  - Zegon escolheu o       beatmaker e MC curitibano pra fechar a coletânea. “Puta MC, puta beatmaker, puta letrista. Achei que tinha que ter um rap não óbvio pra fechar”, conclui.  

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