28 nov
“Curitiba passa por um momento forte de segmentação, algo que não ocorria dez anos atrás. Hoje você encontra de tudo, mas tem espaço e público para todas as vertentes.” A declaração é do DJ Kaká Franco, referência na cena da cidade que vai acolher a edição de fechamento do ciclo brasileiro Boiler Room x Skol Beats em 2014, neste domingo (30), com transmissão ao vivo pela internet a partir das 19h. Quando Kaká começou a discotecar, no fim dos anos 90, ainda na adolescência, o que pegava na cena local era o techno e a house mais tradicionais. Mas, segundo ele, de uns tempos para cá, as coisas ficaram um tanto diversificadas e isso será bem representado pelos artistas que compõem o lineup.

Além de Kaká, tocam também a dupla HNQO & Fabø, Rodrigo Carreira e Gromma. Embora o ponto de encontro de todos eles seja a house, essa galera costuma temperar seus sets com as mais plurais ramificações da vertente, dando a letra de toda a diversidade que está rolando na cidade. Segundo Gromma, uma das revelações mais promissoras do cenário curitibano recente, em atividade desde 2006, “Curitiba tem sido bem eclética. Temos para todos os gostos, desde o tradicional house e techno, até belíssimas festas e núcleos de vertentes voltadas ao bass, trap, black, funk e soul.” HNQO, que cresceu nas ruas de Curitiba como um famoso dançarino de break, concorda: “a cena como um todo contempla os vários tipos de público e gostos, sempre há um pouquinho a se desfrutar. O Boiler Room em Curitiba é um bom destaque e soma para o nosso desenvolvimento”.

Outra característica da eletrônica na capital paranaense é o bom relacionamento entre os artistas. Todo mundo se conhece e troca figurinha, mostrando que segmentação não é segregação. No lineup do Boiler Room, por exemplo, a galera toda troca ideia. “Conheço todos já faz um bom tempo”, diz HNQO. “Cada um tem seu estilo, mas a ideia final de todos é a mesma. Trabalho com o Fabø em nosso selo, junto do Soundman Pako, que é um grande amigo e dinossauro da cena curitibana.”

Conheça a pegada dos DJs que vão se apresentar, suas expectativas e o que eles estão preparando para o evento:

Kaká Franco
Kaká Franco é influenciado por nomes como Frankie Knuckles, Derrick Carter, Joey Negro, Todd Ferry, Marshall Jefferson e Masters at Work. Seus sets abrangem desde o deep até a vibe mais funky da house, sem deixar de lado a essência disco. Ele tem um estilo de mixagem em que as camadas sonoras vão se sobrepondo suavemente, criando um clima contínuo na pista. Frequentemente, Kaká é apontado como um purista, não só por tocar apenas com vinis, mas porque tem um comprometimento em disseminar as raízes da house. “Estou com um verdadeiro frio na barriga, mas ao mesmo tempo com aquela sensação motivadora de reconhecimento. Ter sido escolhido a dedo para representar a região sul deste país, que também tem muitos outros talentos, é para deixar qualquer um preocupado! Mas acho que eu e meus discos estamos prontos para essa missão.”




Rodrigo Carreira
Na ativa desde o começo dos anos 1990, Carreira participou ativamente da construção da cena na região sul do país, especialmente em Curitiba, não só como DJ mas também produzindo eventos. Carreira assumiu sua primeira residência quando tinha apenas 17 anos, no club Legends, casa que teve um importante papel no underground curitibano, e foi também o primeiro residente do club Vibe. Atualmente, ele é dono dos selos Synk Records e Yagi Records. Como produtor, transita entre a deep e a tech-house, e já lançou trabalhos tanto pelo Synk como por outros selos importantes, a exemplo do 303 Lovers, Presslab, Lo Kik, Tropical Beats e Soul Man Music, entre outros. Suas tracks mais recentes, “Lies” e “Throwaway”, ganharam uma série de remixes por diversos artistas, inclusos aí Neighbour e Louie Fresco. 




Gromma
Gromma enveredou pela house grooveada com toques de deep e techno, criando um estilo que na Europa o pessoal chama de “tropical”. Ele transita com desenvoltura por todos os tipos de pista em sua cidade, seja no circuito underground (Circus, Soho, Roxy, Wonka, LaLupe, JPL, Sioux...), como em clubs renomados (Vibe Red Concept, Lique) ou mais comerciais (Inside Music Bar, Danghai, Mahatma). Já passou também por importantes festivais, como Tribaltech e Universo Paralello, e hoje faz parte do seleto casting de artistas da D.Edge Agency e do club Vibe. Sobre a apresentação no Boiler Room, ele adiantou que será um set bastante pessoal: “Posso dizer que esse é o tipo de set que eu mais gosto de fazer. Não tenho compromisso nenhum com a pista, nem a preocupação com quem está tocando o quê antes ou depois de mim. Vou tentar expressar minha identidade e o que eu realmente me sinto à vontade ouvindo e tocando.”




HNQO & Fabø
Eles têm suas trajetórias distintas, mas o trabalho em dupla desses camaradas é frequente. HNQO é um nome em ascensão na música eletrônica. Ele é um intérprete do passado, fundindo elementos de hip hop, jazz e outros gêneros, como o funk e o soul, à sua deep house. Foi descoberto por Russ Yallop, e suas faixas e EPs atualmente são lançadas pela Hot Creations, entre outros selos. Fabø trabalha com a sonoridade dos sintetizadores. Com um bumbo e claps firmes, suas raízes se encontram nos climas de Joy Division e New Order. Para muitos, ele é tipo um embaixador da cena house brasileira. Suas residências nos clubs Vibe e Warung lhe renderam projeção internacional. Até aqui, seus trampos já saíram por selos como Nurvous, Stranjjur e Electronique, e o seu próprio Playperview. “Recebemos o convite através do pessoal de nossa agência. Claro que ficamos muito felizes e satisfeitos por saber que poderíamos participar de um episódio do Boiler Room em nossa própria cidade”, declarou a dupla por e-mail.










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